sábado, 12 de abril de 2008

Bom dia!

Depressão, bom dia!
Como sempre eu já sabia
Que você estava aí
Sempre na espreita; na estepe
Esperando qualquer derrapagem leve
Para vir me consumir

És minha mais fiel companhia
Nas salas cheias
Nas tardes vazias
Quer eu entenda ou não compreenda
Em dias de sol; em madrugadas sem dormir

Esta angustia inexplicável
Que me abraça em qualquer lugar
Que me cobra puxar o gatilho
Do alto de algum prédio, saltar
Para terreno inabitável
Quando me sobra ou falta ar

Parece ser minha natureza
Sem motivo aparente para o que venho sentir
Quando mesmo diante da beleza
Não um sonho ou sentimento que me tire daqui

Depressão, boa noite!
Nem quando durmo me despeço de ti
Ando até me acostumando
Com o olhar úmido por baixo dos panos
Com o cofre lacrado que carrego mim
Sem senhas e sem sonhos
Sem panes e sem planos
Até onde eu puder ir...

Convivendo e me suicidando
Um pouquinho a cada ano
Mesmo com tantos motivos para existir

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