sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Visível

Meu olhar se molha
Ao olhar o seu
Meu olhar te devora
Quando seu olhar demora
E desmorona o meu
Meu olhar se molha
Devolva agora
Meu olhar é teu
Meu olhar ateu

A sorte

A sorte é só um corte no destino dela
Que trouxe o que poderia ser uma manhã por uma janela
E ela não viu
Porque preferiu
Mal dizer a chuva que sobrevivia em sua lembrança
Com um pé nas fotografias amareladas
Soltou a mão da esperança
E voltou a dormir...
A sorte foi um corte que sarou, sem direito a existir

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Saudade

Que sagrada seja sempre a saudade
Que me dá de verdade o exato valor do amor que tenho
Desta mulher que me inunda e me invade
Que é meu todo e minha metade
Que corrige meus rumos nas estradas loucas de meus devaneios
Que é meu céu para todo inverno
A certeza de que um cais me espera nos sinais de caos

Que sagrada seja sempre a saudade
Que sinto na rua esperando a hora de retornar
Quando desenhamos nossas cidades bem diferentes das multidões
Que sagrada seja sempre esta verdade nossa anfitriã
Que me dá o exato valor do que construímos até aqui
Que sagrada seja a saudade
Porém que nunca dure além do necessário
Para ser precisa no ato de novamente nos reunir

Quiçá

Quiçá eu pudesse pegar
As palavras que você me diz agora e se espalham pelo ar
Para nos dias em que você não vier
Eu nem pensar em perder a fé
Porque com elas enrolado eu vou estar

Quiçá eu pudesse morder estas manhãs
Em que o vento traz o doce das maçãs
Como se fosse um banho de esperança
Quiçá pudesse guardar nos pés os passos da dança
Quiçá eu pudesse não acordar
Só para não te ver partir
Meus olhos abrem e você não estar

Como eu queria pegar
A felicidade e guardar
Para não gastar tudo de vez
Pois sou condenado a ser assim
Sou só feliz em excesso
Assim como excesso sou triste também

Dentro dos olhos

Olhe dentro do teu silêncio
O que ainda explode em você
O que procuras em meus olhos como se fosse uma velha fotografia
O escuro te aperta dentro do infinito e ilumina segredos
Em meio a tantos medos perdemos o encanto do que sonhamos um dia

E distante ficou o som da canção que a gente entoava
Quando o céu parecia ser todo nosso limite
E a gente voava e cantava ainda que em desespero
Agora, a quem eu quero enganar de terno e gravata
Se espelho sempre denuncia alguém que quer acordar

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Não é minha

Posso tentar te explicar minha tristeza
A solidão de quem eu sou
Enquanto a tarde passa sem surpresas
Sem que você note onde estou
Posso te mostrar os versos que ainda não fiz
Ao abrir meu silêncio sem calor
Só não posso evitar que você abra a porta
E deixe dentro de mim tudo o que um dia nos importou

Vou ficar aqui, guardado no passar do tempo
Esquecer das horas até me perder
Relendo cartas e fotografias
Quem sabe até falando às noites vazias o que nunca soube dizer
Talvez ainda haja em algum dia
Alguém que me encontre por você
Porque hoje parece não ser minha a estrada com a qual fiquei

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Torcida de fé


É preciso senha para sonhar aqui
Banquetes ao dono banco
Quem banca as cores daqui
Pinta céus e terras com cheques em branco
E você ainda rir...
...deve mesmo é estar brincando...

Crente que estar feliz
Crente que faz parte dos planos
Mas só quem tem senha passa existir
Enquanto a felicidade passa por debaixo dos panos

O que você espera...
...enquanto outros dias esperam por você?
Será que você já era antes mesmo de um plano B

É preciso senha para estar aqui
Eles tem a bola, o jogo e o campo
A torcida é só um detalhe por aqui
Uma canção perdida em milhares de anos
O resto é para inglês vê
De resto só os velhos planos

O que você espera...
...enquanto outros dias esperam por você?
Será que você já tem roteiro para os próximos sonhos

Pelo mais simples


Pelo mais simples
De encontro ao vento
Sobrevivendo ao tempo
Sem temer sonhos que nos uniu

Ainda acredito
No que se traduz só em silêncio
De olho no infinito
Nenhuma palavra vai nos resumir

Pode ser que seja
Dores postas em lente de aumento
Nosso sofrimento
Pode nem ser tão bem assim...

Mas nosso silêncio em carne viva
A qualquer momento vai transbordar
Cobrar com juros e sentimentos
O sonho que plantamos em algum lugar

Quanto te faltou fé na estrada
Qual foi o novo caminho que teu coração abriu?
Quando acordastes assustado na madrugada
A verdade pareciam bombas caindo de um avião

Quem vai explicar as cores
Do que teu novo quadro?
Quem possui autoridade para ter razão?
Pelo mais simples é ser pelo mais natural


crédito da foto: Sionelly Leite